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 Eles estavam no carro dele.Estava frio...era impressionante como as estações se faziam cada vez mais imprevisíveis.A Primavera estava por  vez mais fria que o o inverno... e A. estava ali,linda,vestindo uma produção totalmente criada por ela mesma.Finalmente teve coragem de vestir uma de suas co-criações diariamente ensaiadas na frente  do espelho.Meia calça fio 80 cor de chumbo,vestido rosa floral da sua mãe,que A. havia encurtado com a ajuda de uma fivela preta,jaqueta jeans clara,cachecol em tons de vinho,azul e rosa,e botas de camurça roxa.Isso tudo parece demais.. mas naquela pessoa e naquele dia era apenas o suficiente.
  Estavam na frente da casa dela,e ela manhosamente se aconchegou no colo dele.Queria carinho.Muitas vezes o beijo e o sexo pra ela não eram importantes,mas a presença dele era...,o abraço(que muitas vezes era apertado demais e a machucava),o toque, o beijo seguido de um cheiro no pescoço... os beijos dela no pontinha do nariz alérgico dele que ficava vermelho diante do cachecol guardado dela,e ela só precisava disso... somente isso para se sentir amada.
  Ele gostava de contato.. no sentido literal da palavra..deslizava suas mãos por aquelas curvas amontoadas de roupa... e também gostava de dar beijos demoradíssimos de língua..o que gerava um certo desconforto nela... fato que não o incomodava nenhum um pouco.
  Era evidente que ele era a parte que mais gostava naquele relacionamento.Principalmente nos dias frios  revelava sua vontade de se casar com ela.. e naquele dia não foi diferente,disse que não via a hora deles morarem juntos,ela respirou fundo(era o sinal de que seu estado de humor estava se alterando) e isso acontecia com mais frequência do que A. gostaria.Ele perguntou a ela se quando eles se casassem, se eles iriam transar todo dia,ela respondeu que sim.. e depois de um momento que não deve ter durado 3 segundos ela disse que talvez sim.. mas que não queria fazer promessas pois ela o conhecia bem.. e depois que eles se casassem se ela não transasse com ele todos os dias, que ele iria jogar isso na cara dela pelo resto da vida.Ele tinha excelente memória principalmente no que diz respeito as promessas não cumpridas por ela.
  A. respirou fundo.. aquele comentário não fazia o menor sentido,não pra ela.Mudaram de assunto,e depois de uma longa conversa(ou quase isso),ela ficou ali inerte,naquele colo que a envolvia como se fosse uma concha,ela apertou firmemente o mindinho nos cantos dos olhos para conter as lágrimas,ou ao menos para que ele não as percebesse.A se sentia vulnerável por estar sendo  tão amada e de certo modo até mesmo plena e  feliz (feliz?).Sim,ela estava feliz.

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