nada de mais.


E no fundo no fundo,ela gostava daquilo ...
e de todas as impressões que aquilo lhe causara ... e lhe causaria.
Concluiu então que ela, aquele Diabo, era movido pelas sensações .. .e era isso o que a inquietava e também trazia felicidade. Buscava familiaridade com os filmes, os romances, as crises, com as pessoas, lugares, experiências e situações.
Ela se repetia cada vez mais e mais naquela eterna e inacabável busca.
Como o arrepio e torpor do primeiro cigarro. Saídas até a esquina que por meio de uma tragada ou bola se tornaram inesquecíveis. E como ela se adaptava e sentia conforto com as imagens de lugares sujos ... como quando ela voltava no ônibus da faculdade; em dias frios, ruas vazias, postes queimados ... passando por prédios descascados e mal cuidados, com alguma luz acesa em seus interiores ... e como ela sem esforço conseguia identificar seus cômodos, cheiros, moradores, seus conflitos, mesmo sem nunca ter estado ali. Isso acontecia de forma tão intensa e ao mesmo tempo tão dolorida. Mas ela gostava disso, daquelas vidas podres ... tão parecidas com a sua. E pelo menos ali, naquele trecho que antecedia o seu bairro, naquele um minuto e meio de corrida, ela se sentia entendida,e não mais estava só, ao menos não de si mesma.

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