alguém afim de te acompanhar.


E eu corri dela como quem tentasse salvar a vida em suspiros e rodopiar de braços em volta do corpo. Meu próprio eixo.
Ela parecia estar querendo me tocar, fazer algum tipo estranho de carinho e contato com aquelas suas patas negras e bem finas.
Nunca vi uma borboleta correr tão insistentemente até mim. E eu ali pensando quase que em voz alta –“sai!”- e mais e mais ela vinha. Até me tirar completamente do meu lugar físico e comum.
E foi então que eu fui rompida daquela guerra de egos por um olhar alheio questionador. Afinal, quem teria reais chances de vencer? Já que o meu era tão bonito e frágil quanto o dela... daqueles que a gente sonha e tenta colocar em um vidro de maionese vazio e guardar na gaveta da penteadeira em meio as roupas limpas e dobradas... junto com os vários outros segredos do tempo.
Tentei mesmo afastar o medo e aproximar o dedo... mas todas aquelas lendas da época da minha avó de que o pólen das asas das borboletas causam cegueira me travaram, não prestei atenção nas aulas de biologia o suficiente para me certificar se essa teoria era ou não uma verdade absoluta.
Enquanto eu me mantinha hipnotizada e atraída pelas cores de suas asas, alguém chegou de repente e eu dei um grito.
Mesmo.
Fiz questão de descrever o óbvio: -que susto!- , e ela também o percebeu, deve até mesmo ter sentido através do vento a vibração do som da minha voz... e voou alto. Para cima, no teto. Daqui debaixo tive medo que ela ficasse lá por um tempo longo demais no calendário das borboletas e morresse . E eu iria ter que assistir tudo de camarote... mas depois de um tempo eu esqueci de acompanha-la,agora ela não esta mais aqui. E junto com ela o desejo de vê-la morrer e o desejo de vê-la de novo em um outro lugar.
Voa borboleta e me deixa te acompanhar.

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