da categoria: "as cartas que eu não mando - I "



Eu queria ter coragem de dizer pra você relaxar pois vai ficar tudo bem e que isso irá passar. Mas eu não sei mentir, e ela, embora seja de nossa natureza e inevitável, é o que eu mais temo em todo o mundo. Então não sei ameniza-la e nem despotencializar ou ter o controle de seus efeitos sobre mim ou em quer que seja.
Digam o que disserem os livros que eu li, eu também não estou preparada para o grande encontro. Talvez aceite pertence-la e me render com pesar, mas com um pouco menos de hesitação e dor de que vê-la tomando forma diante dos meus olhos. Me envolvendo mais rapidamente que um susto em seus braços rígidos e seu hálito gelado, que entraria pelo meu rosto e chegaria  ao meu coração, levando parte dele consigo.  Então eu a nego. E esse estágio de negação me faz pensar nela a todo instante. Acabo sofrendo por antecipação. Velando meus vivos-mortos diariamente em segredo.
O que eu realmente tenho certeza agora; neste instante, é que eu possuo dedos firmes e braços fortes. Se quiser vir comigo, vou segurar as suas mãos pelo tempo que for necessário, até você ter certeza que os seus músculos (cardíacos ou os das mãos) se tornaram suportáveis o bastante para separar o teu medo de vez do meu. Enquanto isso eu vou seguindo aqui, ao seu lado. Lado a lado.


Ps: eu sinto muitíssimo, por você e por ela.

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