bora 2012.


E quando eu achava em pleno dia 30 de dezembro de 2011, que quem não morreu não morre mais; vai ter que deixar pra 2012. Eis que eu, este ser desprovido de qualquer captação sensorial (afinal, poderia ter ouvido os gritos de -Eiiiiiiiiiii! eeeeeeeeeeeeeeei!- do senhor que tentava me salvar) fui atropelada.
Bem, na verdade atropelada é um exagero da minha força de expressão. Mas me derrubaram, eu e minha moto. O que difere isso de uma atropelamento consumado é que não, as rodas não passaram em cima de mim e nem dela. Mas foi por pouco (pouco?), enfim.
Eu havia manobrado minha moto, já havia colocado no ponto morto, virado a chave da ingnição e ela... aquela mulherzinha que devia estar batento papo com o marido (sentado ao seu lado), não me viu, ou melhor, sequer deve ter olhado no retrovisor; e deu ré.
Aquela surda! aposto que os gritos do senhorzinho eram mais pra ela do que pra mim.
Não me machuquei. Mas havia o susto, na verdade eu, ali, era a personificação dele em carne, osso e rosto. Não sabia se tinha me machucado, e nem se havia estragado a moto. Mas a minha resposta foi continuamente não. Eu sequer consegui identificar se o erro era meu ou dela. Eu nem consegui esboçar uma reação. A única frase, junção de palavras que eu consegui conceber foi - isso acontece-. A única coisa que pensei foi - eu tenho que dar o fora daqui antes que isso vire um circo ainda maior -. As pessoas já apontavam em nossa direção, todos aqueles olhares e dedos... o que eu fiz em seguida foi pedir ajuda ao tal senhor (mas ele era magro e menor do que eu), então chamei também um rapaz para o ajudar a  levantar a moto e me mandei.
Em casa não consegui sequer explicar se a moto caiu em cima de mim; ou se eu dei um mortal duplo e fiquei em pé ao lado dela. Qualquer uma das opções me parecia duplamente plausível.Me deu um branco que ainda não foi preenchido com cena alguma. O que eu ouvi em seguida é que eu deveria ter chamado a polícia; a ambulância; e os bombeiros ... e ter ligado pra casa também. Mas depois de tudo aquilo a única coisa que eu queria era que meu consciente voltasse a abrigar o meu corpo. Que eu deixasse de ser um zumbi e voltasse a ser gente.
E hoje aqui estou.

Então é isso.31 de dezembro de 2011. Eu te venci seu anosinho.

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