mau carater.

 Ontem Ane se atrasou novamente para o trabalho.Mas dessa vez ao menos conseguiu uma carona,quando esta chegou e buzinou em sua casa,lá saiu ela:com os pés enfiados no tênis marrom ainda com os cadarços dados,dedos pra dentro do calçado,calcanhar pra fora;meias,chaves,escova dental,pasta e bolsa nas mãos.
Entrou no carro.
 Já no carro se abaixou para calçar as meias,desatou os laços dos tênis:-mas eu achei que você já estava pronta-;- e eu estou,só falta o tênis-;-você tomou banho?-;-não apenas molhei o cabelo para pentear;geralmente apenas quando tenho que levantar mais cedo pra estudar,ai sim tomo banho pra me despertar-;-mas você já deve estar acostumada né,a se vestir e sair correndo do carro-; ela fingiu não entender,o que de fato ela não entendia... o que fora aquilo,aquela pessoa,naquela hora da manhã soltando aquele comentário,fingindo uma intimidade que não existia... eles não eram íntimos para aquilo,nem pra muito menos que aquilo,nos últimos tempos quase já não havia dialogo,se limitavam as cotidianidades:bom dia,tarde e noite,alguns grunhidos... e olhe lá.Aquele pervertido. A completou:-não sou acostumada com isso,apenas quis pegar a carona e por isso sai correndo.
 Tem gente que deveria não existir,pensou ela.Eu também acho.

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